Daniel Senise

Sobre os ombros do gigante

Bernardo Mosqueira

Daniel sempre foi um estudioso obcecado por conhecimento e invenção. Como forma de estudo e experimentação da pintura, logo no início impôs a si mesmo ciclos curtos de exercícios durante os quais deveria estudar e pintar “ao estilo” de artistas em que se interessava. Uma de suas primeiras referências foi Francis Bacon, que lhe encantava também pela forma como refletia a própria vida em sua obra. Em 1983, numa viagem a São Paulo ainda trabalhando pelo banco, teve a oportunidade de visitar a 17ª Bienal de São Paulo, onde conheceu o trabalho de Markus Lüpertz, que participava da representação da Alemanha. Eram pinturas produzidas entre 1980 a 1982, com áreas mais expressivas de gestos livres, e outras mais precisas, de movimentos controlados. As pinturas mostravam sólidos compostos por diversos fragmentos e volumes bastante marcados. Ali estava a série “Cinco quadros sobre o fascismo”, com cada uma das telas intituladas “Gás”, “Resistência” etc. O contato com Lüpertz afetou Senise com tanta força que ele voltaria ao Rio, somaria essa experiência à leitura aficionada de revistas estrangeiras de arte, e passaria a realizar as pinturas em grandes formatos que experimentavam um flerte próprio com uma tendência internacional neoexpressionista e que se tornariam rapidamente um sucesso no mercado e na imprensa. Nessa época, Daniel pintava com uma tinta acrílica que produzia precariamente misturando pigmentos (sobretudo pó xadrez) a uma base industrial (uma cola branca PVA).

Voltar